13 de junho de 2012

Deus não falha!


O Novo

O novo incomoda. 
Por que? Porque desafia. 
Mas queiram ou não, 
o novo sempre vem. 
E para nossa felicidade, 
o novo geralmente vence. 
E quando o novo vence, 
a máquina do mundo gira melhor. 
Novos projetos deixam as tristezas 
numa agenda que não se abre mais. 
Novos passos exige de nós coragem. 
O novo é belo porque nos muda, 
nos leva a novas estações. 
O novo nos torna pessoas melhores 
porque nos torna novas pessoas. 
O novo é lindo. 
Assim como os sonhos, 
o novo não envelhece.

Leia a Bíblia!


12 de junho de 2012

Palavras são inúteis - Ivan Martins


A gente cresce acreditando no poder das palavras. Desde criança, nos dizem que, conversando, seremos capazes de acertar qualquer coisa, de resolver qualquer situação. Infelizmente, não é verdade. Quando se trata de relacionamentos, as palavras são inúteis.
Os sentimentos apaixonados que nos ligam a alguém não são criados por palavras. Os desentendimentos que aos poucos ou de súbito nos separam da pessoa não são provocados por palavras. Os sentimentos de perda, dor e morte causados pelas rupturas tampouco são remediados por palavras. As palavras descrevem, celebram, exaltam e lamentam nossas paixões, mas não são responsáveis por elas. Quando se trata de amor, as palavras são inúteis.
Não obstante, nós falamos. Cultivamos a ilusão de que o outro pode ser envolvido, seduzido, convencido pela nossa retórica. Acreditamos, fundalmentalmente, que o nosso desejo pode ser transmitido pela palavra. Por isso, telefonamos, mandamos mensagens, escrevemos longos emails, rabiscamos poemas, fazemos letras de música, marcamos conversas dolorosas e intermináveis que – a rigor – não levam a lugar nenhum.
Quando existe um sentimento comum, as palavras são apenas acessórias. Quando não há sentimento, elas agem como um bisturi: cortam, expõem e dilaceram, mas não criam.
Tenho a impressão de que aquilo que liga dois seres humanos existe além das palavras. Uma magia de natureza física ou psíquica dita que Fulana é atraída por Sicrano ou vice-versa. Isso acontece de forma instantânea, ou pode ser construído lentamente, mas não sobre o alicerce das palavras. As palavras são apenas a aparência do que nos liga. Quando as pessoas conversam, trocam entre si códigos que vão além do que elas dizem. Há os olhos, as mãos, o corpo e a voz, que sinalizam uma espécie de todo invisível. Há um conjunto de sinais nos quais um se expressa e o outro se reconhece – e deseja, ou não deseja. O sentido das palavras nessa troca é secundário. A mensagem profunda sobre quem se é já foi passada antes.
Se isso não nos parece tão claro é porque vivemos num universo revestido de palavras. Temos a sensação de que elas iniciam e finalizam todos os atos, mas não é assim. As palavras são apenas sintomas. Quando as pessoas se conhecem e se apaixonam, conversam da mesma forma como se beijam, com fúria e com encantamento. No final, quando tudo acabou, as palavras doem e escasseiam. Elas são repelidas pelo outro da mesma forma que o toque, igual que o olhar. Temos a impressão de estar encerrando o amor com as palavras, mas elas são apenas as flores do enterro. Quando chegamos a elas, o desejo está morto.
Infelizmente, os ciclos de paixão e rejeição não são simultâneos. Eu ainda estou cheio de palavras doces, mas você não quer mais ouvi-las. Ou eu me dirijo a você com palavras de desejo e prazer, mas elas deixaram de fazer sentido. Se você não sente mais o que eu sinto, não vai entender o que eu digo. Nem será tocada pela magia das minhas palavras, que se tornam inúteis. Quantas das nossas conversas não são trocas de palavras inúteis? Tentamos transpor com elas o abismo da indiferença do outro. Explicamos, sugerimos, argumentamos - inutilmente.
Então, economize palavras. Fique quieto e preste atenção. Escute o que ela não diz. Entenda o que ele nem falou. Os gestos contam coisas, os olhares antecipam. Atitudes valem mais do que declarações de amor – e não podem ser substituídas ou consertadas por palavras.
Fonte: Revista Época, 07 de março de 2012.

Seja a pessoa certa!


11 de junho de 2012

Amar alguém - Marisa Monte


Amar alguém só pode fazer bem
Não há como fazer mal a ninguém
Mesmo quando existe um outro alguém
Mesmo quando isso não convém
Amar alguém e outro alguém também
É coisa que acontece sem razão
Embora soma, causa e divisão
Amar alguém só pode fazer bem
Amar alguém só pode fazer bem
Amar alguém só pode fazer bem
Amar alguém só pode fazer bem
Amar alguém
Amar alguém não tem explicação
Não há como conter o furacão
Amores vão embora
Amores vêm
Não se decide amar e nem a quem
Amar alguém só pode fazer bem
Seja só uma pessoa ou um harém
Se não existe algoz e nem refém
Amar alguém e outro alguém também
Amar alguém só pode fazer bem
Amar alguém só pode fazer bem
Amar alguém só pode fazer bem
Amar alguém só pode fazer bem
Amar alguém

Você precisa saber disto!


Amizade...


Sorria então!


9 de junho de 2012

"Me dê um conselho" - Daniel Motta


A urna na Avenida Paulista, próxima ao Conjunto Nacional

Em março de 2010, o designer Daniel Motta,  que colaborou em algumas das mais importantes publicações do país como Playboy, Superinteressante, Trip, Nova Escola, Estilo, Bons Fluidos e Bizz, pôs em prática uma ideia inusitada. Espalhou por 32 endereços da cidade, entre eles a Praça da Sé, a Rua Augusta e a Avenida Paulista (foto), uma caixa de madeira estampada com um pedido simples: “Me dê um conselho”. Ao lado, um bloco e uma caneta. Durante seis meses, recolheu mais de 2.000 papéis. “Havia desde dicas interessantes para a vida até desenhos do Batman e telefones de mulheres solteiras”, conta. (Veja São Paulo, edição 2273, 13/junho/2012).

Construí uma caixa de madeira, pintei-a de branco e escrevi “Me Dê Um Conselho” em preto nas laterais. Deixei um bloco de papel no topo e uma entrada para que as pessoas colocassem as folhas lá dentro, como uma urna. E, claro, deixei uma caneta também. Por 18 meses, saí ao menos uma vez por semana coletando conselhos de quem transitava pelas ruas de São Paulo. Assim que colocava a caixa em algum ponto da cidade eu me posicionava a uma distância grande o suficiente para que ninguém me notasse fotografando a movimentação. Homens, mulheres e crianças escreveram conselhos engraçados, conselhos sérios, políticos, amorosos, conselhos sem sentido algum. Teve gente que pediu conselhos em vez de dá-los, outros fizeram desenhos e alguns até deixaram o telefone para que eu ligasse depois. O projeto funcionou exatamente como eu imaginei – às vezes, até melhor, como no dia em que recebi tantos conselhos no Parque Villa-Lobos que o bloco de papel até acabou. Mas também amarguei temporadas de completo fracasso – no Largo de Moema, por exemplo, ninguém se importou em escrever uma mísera linha. Uma companhia de seguros copiou a ideia e até fez uma campanha publicitária pedindo conselhos, acredita? Bem, não sei quantos conselhos eles receberam, mas eu recebi mais de dois mil no total. Aqui você vê uma compilação dos melhores. (Prefácio do livro Me dê um conselho, Editora Altamira)








A felicidade é uma obrigação de mercado - Arnaldo Jabor


Antigamente, a felicidade era uma missão a ser cumprida, a conquista de algo maior que nos coroasse de louros; a felicidade demandava "sacrifício". Olhando os retratos antigos, vemos que a felicidade masculina estava ligada à ideia de "dignidade", vitória de um projeto de poder. Vemos os barbudos do século 19 de nariz empinado, perfis de medalha, tirânicos sobre a mulher e os filhos, ocupados em realizar a "felicidade" da família. Mas, quando eu era criança, via em meus parentes, em minha casa, que a tal felicidade era cortada por uma certa tristeza, quase desejada. Já tinha começado o desgaste das famílias nucleares pelo ritmo da modernidade.
Hoje, a felicidade é uma obrigação de mercado. Ser deprimido não é mais "comercial". A infelicidade de hoje é dissimulada pela alegria obrigatória. É impossível ser feliz como nos anúncios de margarina, é impossível ser sexy como nos comerciais de cerveja. Esta "felicidade" infantil da mídia se dá num mundo cheio de tragédias sem solução, como uma "disneylândia" cercada de homens-bomba.
A felicidade hoje é "não" ver. Felicidade é uma lista de negações. Não ter câncer, não ler jornal, não sofrer pelas desgraças, não olhar os meninos malabaristas no sinal, não ter coração. O mundo está tão sujo e terrível que a proposta que se esconde sob a ideia de felicidade é ser um clone de si mesmo, um androide sem sentimentos.
O mercado demanda uma felicidade dinâmica e incessante, cada vez mais confundida com consumo, como uma "fast-food" da alma. O mundo veloz da internet, do celular, do mercado financeiro nos obriga a uma gincana contra a morte ou velhice, melhor dizendo, contra a obsolescência do produto ou a corrosão dos materiais.
[...]
Há que perder esperanças antigas e talvez celebrar um sonho mais efêmero. É o fim do "happy end", pois na verdade tudo acaba mal na vida. Estamos diante do fim da insuportável felicidade obrigatória. Em tudo.
Não adianta lamentar a impossibilidade do amor. Cada vez mais o parcial, o fortuito é gozoso. Só o parcial nos excita. Temos de parar de sofrer por uma plenitude que nunca alcançamos.
Hoje, há que assumir a incompletude como única possibilidade humana. E achar isso bom. E gozar com isso.

6 de junho de 2012

Aqui bate um coração - São Paulo


Segunda-feira, 5 de março de 2012.
07h45 da manhã.


A Luz não é mais a mesma. Nem a Sé (ou seria... Fé?). Camões chama atenção de todos para si enquanto Baden Powell está mais bossa do que nunca. A Avenida Paulista tem agora seu coração em Fernão Dias Pais. São Paulo acordou diferente...

Com a vontade de viver algo novo em seus cotidianos e munidos de iPhones e cameras, vinte amigos invadiram as ruas da cidade durante madrugada para levar corações e amor às estátuas da Sé, Anhangabaú, República, Arouche, Ibirapuera e Trianon. 

O que a gente queria?

Colocar um pouco mais de amor no cotidiano do outro e no próprio coletivo que espera que os pontinhos vermelhos espalhados pela cidade despertem sorrisos, um respiro no meio desse caos que vivemos e, claro, muito amor - afinal AQUI BATE UM CORAÇÃO!

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Já pensou se isso acontece em cada capital de nosso país???
Boa essa ideia de lembrar que há um coração que pulsa...

5 de junho de 2012

Aposte na simplicidade para ser feliz


Há diversas maneiras de ser simples. Encontre a ideal para você e seja feliz!

Autor: Eugenio Mussak


Felizmente existe a ideia da simplicidade, e esta é, digamos, simples desde sua origem. A palavra é formada por duas outras de origem latina: sin, que significa único, um só, e plex, que quer dizer dobra. Ser simples significa ter uma só dobra, ao contrário do complexo, que tem várias. Simples! 


Simplificar significa evitar a complexidade e criar uma vida sem mistérios? Há uma diferença fundamental entre ser simples e ser simplório. Os simples resolvem a complexidade, os simplórios a evitam. Eu conheço pessoas sofisticadas, intelectualizadas, que levam uma vida plena, realizam trabalhos difíceis, apreciam leituras profundas e têm hábitos peculiares. E continuam sendo pessoas descomplicadas. Conheço também pessoas simplórias, com pouca profundidade, que realizam trabalhos repetitivos, que têm poucas ambições, que apreciam rotinas e evitam os sustos de uma vida aventurosa. E mesmo assim são pessoas complicadas, para elas tudo é muito difícil, em geral impossível.

Não há um paradoxo em construir uma vida simples em meio à vida moderna, cada vez mais exigente? Hiroshi criou a Ecovila Clareando, uma comunidade autossustentável no interior de São Paulo que atrai gente comprometida com a natureza e com seus valores, como a sustentabilidade, sem a ingenuidade das "sociedades alternativas" de antigamente, mas tendo a simplicidade como filosofia. Ele planta e produz praticamente tudo o que precisa para se alimentar, domina as técnicas de construção ecológica e de produção de energia limpa. Mas não é um isolado, viaja, participa de congressos, dá palestras, toca violão, compõe músicas. E é alegre em tempo integral.

Goldberg é professor da New York University, onde faz pesquisas sobre o cérebro humano, e consegue falar sobre seu funcionamento de maneira compreensível. Escreveu alguns livros, entre eles O Paradoxo da Sabedoria, em que afirma que, apesar do envelhecimento do cérebro, a mente pode manter-se jovem. Seus textos são o melhor exemplo de como se pode simplificar o complexo, pois são sobre neurofisiologia, mas qualquer um entende.

Eu não poderia imaginar vidas mais diferentes e, ao mesmo tempo, mais parecidas. Ambos carregam uma leveza própria das pessoas que decidiram não complicar, sem abrir mão de seus desejos, projetos, pequenos luxos, enfim, da vida normal. Pessoas assim, que fazem a opção da simplicidade, têm alguns traços comuns. Identifico cinco deles:

1. São desapegadas: não acumulam coisas, fazem uso racional de suas posses, doam o que não vão usar mais.

2. São assertivas: vão direto ao ponto com naturalidade, mesmo que seja para dizer não, sem medo de decepcionar, não "enrolam" nem sofisticam o vocabulário desnecessariamente.

3. Enxergam beleza em tudo: em uma flor no campo e em um quadro de Renoir; em uma modinha de viola e em uma sinfonia de Mahler; em um pastel de feira e na alta gastronomia.

4. Têm bom humor: são capazes de rir de si mesmas e, mesmo diante das dificuldades, fazem comentários engraçados, reduzindo os problemas à dimensão do trivial.

5. São honestas: consideram a verdade acima de tudo, pois ela é sempre simples e, ainda que possa ser dura, é a maneira mais segura de se relacionar com o mundo.

Ser simples, definitivamente, não é abrir mão de nada. É possível apreciar o conforto, a sofisticação intelectual, as artes, o prazer da culinária, a aventura das viagens e continuar sendo simples.

Pois ser simples não é contentar-se apenas com o mínimo para manter-se fisicamente vivo, uma vez que não somos só corpo, também somos imaginação, intelecto, sensibilidade e alma. E esta última é, sim, simples, mas não é pequena, a não ser, é claro, que a pessoa queira.

Lição de Vida!


4 de junho de 2012

Levanta a cabeça...


Caio Fernando Abreu

"A vida tem caminhos estranhos, tortuosos às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo. Sim, existir é incompreensível e excitante. Às vezes que tentei morrer, foi por não poder suportar a maravilha de estar vivo e de ter escolhido ser eu mesmo e fazer aquilo que eu gosto - mesmo que muitos não compreendam ou não aceitem."

Caio Fernando Abreu,  (1948-1996) jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro.