29 de julho de 2012
Já é - Lulu Santos
Sei lá...
Tem dias que a gente olha pra si
E se pergunta se é mesmo isso aí
Que a gente achou que ia ser
Quando a gente crescer
E nossa história de repente ficou
Alguma coisa que alguém inventou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um déjà vu
Tem dias que a gente olha pra si
E se pergunta se é mesmo isso aí
Que a gente achou que ia ser
Quando a gente crescer
E nossa história de repente ficou
Alguma coisa que alguém inventou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um déjà vu
Sei lá...
Tem tanta coisa que a gente não diz
E se pergunta se anda feliz
Com o rumo que a vida tomou
No trabalho e no amor
Se a gente é dono do próprio nariz
Ou o espelho é que se transformou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um vis a vis
Tem tanta coisa que a gente não diz
E se pergunta se anda feliz
Com o rumo que a vida tomou
No trabalho e no amor
Se a gente é dono do próprio nariz
Ou o espelho é que se transformou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um vis a vis
Por isso eu quero mais
Não dá pra ser depois
Do que ficou pra trás
Na hora que já é!
Não dá pra ser depois
Do que ficou pra trás
Na hora que já é!
28 de julho de 2012
26 de julho de 2012
Ler devia ser proibido - Guiomar de Grammont
“A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.”
25 de julho de 2012
24 de julho de 2012
23 de julho de 2012
22 de julho de 2012
O que faz você feliz? - Seu Jorge
A lua, a praia, o mar,
Uma rua, passear,
Uma dança, um beijo,
Ou goibada com queijo?
Afinal, o que faz você feliz?
Chocolate, paixão, dormir cedo e acordar tarde,
Arroz com feijão, matar a saudade,
O aumento, a casa, o carro que você sempre quis,
Ou são os sonhos que te fazem feliz?
Dormir na rede, matar a cede, ler,
Ou viver um romance?
O que faz você feliz?
Um lápis, uma letra,
Uma conversa boa, um cafuné,
Café com leite, rir atoa,
Um pássaro, um parque, um chafariz,
Ou será o choro que te faz feliz?
A pausa pra pensar, sentir o vento,
Esquecer o tempo, o céu, o sol, um som,
A pessoa ou o lugar?
Agora me diz, O que faz você feliz?
Uma rua, passear,
Uma dança, um beijo,
Ou goibada com queijo?
Afinal, o que faz você feliz?
Chocolate, paixão, dormir cedo e acordar tarde,
Arroz com feijão, matar a saudade,
O aumento, a casa, o carro que você sempre quis,
Ou são os sonhos que te fazem feliz?
Dormir na rede, matar a cede, ler,
O que faz você feliz?
Um lápis, uma letra,
Uma conversa boa, um cafuné,
Café com leite, rir atoa,
Um pássaro, um parque, um chafariz,
Ou será o choro que te faz feliz?
A pausa pra pensar, sentir o vento,
Esquecer o tempo, o céu, o sol, um som,
A pessoa ou o lugar?
Agora me diz, O que faz você feliz?
21 de julho de 2012
20 de julho de 2012
19 de julho de 2012
É o amor - Chico Xavier
Vida: É o amor existencial.
Razão: É o amor que pondera.
Estudo: É o amor que analisa.
Ciência: É o amor que investiga.
Filosofia: É o amor que pensa.
Religião: É o amor que busca a Deus.
Verdade: É o amor que eterniza.
Ideal: É o amor que se eleva.
Fé: É o amor que transcende.
Esperança: É o amor que sonha.
Caridade: É o amor que auxilia.
Fraternidade: É o amor que se expande.
Sacrifício: É o amor que se esforça.
Renúncia: É o amor que depura.
Simpatia: É o amor que sorri.
Trabalho: É o amor que constrói.
Indiferença: É o amor que se esconde.
Desespero: É o amor que se desgoverna.
Paixão: É o amor que se desequilibra.
Ciúme: É o amor que se desvaira.
Orgulho: É o amor que enlouquece.
Sensualismo: É o amor que se envenena.
Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor,
não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.
Razão: É o amor que pondera.
Estudo: É o amor que analisa.
Ciência: É o amor que investiga.
Filosofia: É o amor que pensa.
Religião: É o amor que busca a Deus.
Verdade: É o amor que eterniza.
Ideal: É o amor que se eleva.
Fé: É o amor que transcende.
Esperança: É o amor que sonha.
Caridade: É o amor que auxilia.
Fraternidade: É o amor que se expande.
Sacrifício: É o amor que se esforça.
Renúncia: É o amor que depura.
Simpatia: É o amor que sorri.
Trabalho: É o amor que constrói.
Indiferença: É o amor que se esconde.
Desespero: É o amor que se desgoverna.
Paixão: É o amor que se desequilibra.
Ciúme: É o amor que se desvaira.
Orgulho: É o amor que enlouquece.
Sensualismo: É o amor que se envenena.
Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor,
não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.
16 de julho de 2012
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